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Feliz Dia do Quadrinho Nacional!

Oi, piantes! Feliz Dia do Quadrinho Nacional!

Algumas pessoas deverão achar a tirinha abaixo um pouco forte, mas há muito tempo fazer quadrinhos é assim:

 

O dia 30 de janeiro é celebrado como Dia do Quadrinho Nacional devido à publicação da primeira história em quadrinhos no Brasil, As Aventuras de Nhô Quim, ilustrada pelo ítalo-brasileiro Angelo Agostini para a revista Vida Fluminense, em 1869, mas a data só começou a ser celebrada em 1984.

Eu não sou a pessoa mais indicada para falar da história das histórias quadrinhos nacionais, mas recomendo o livro do Álvaro de Moya, chamado… “A história das histórias em quadrinhos”.

Voltando a tirinha, eu torço para que logo ela se torne datada, porque nunca houve um movimento tão grande na produção de quadrinhos desde a década de 90.

Mas ainda assim temos um número grande o suficiente de quadrinhistas vivendo integralmente de seu trabalho para dizermos que temos uma “classe trabalhadora”?

Com as iniciativas como o ProAC em SP, financiamento coletivo e o número grande de eventos, quadrinhistas vendem os seus produtos em mesas de feiras como o homem do campo vende o fruto do suor de seu rosto, mas muito mais munido de fé do que de certeza.

Como um marinheiro, passa-se um tempo em feiras e outro tempo no estúdio. Seu álbum precisa correr o Brasil, ele precisa ir junto, porque sua assinatura, sua rápida explicação da história é determinante na venda.

A internet torna dois ou três celebridades, alimentando o sonho de dezenas. As cópias aparecem, procurando o nicho que dá mais certo. Todos precisam fazer seu quadrinho ficar conhecido o bastante para conseguir o mínimo de colaboração nos financiamentos coletivos.

Os quadrinhistas gritam em plenos pulmões que não precisam das editoras. As editoras fingem que nunca precisaram da gente. As editoras não querem quadrinhistas, querem alguém que faça o roteiro e outro que desenhe o que alguém que já morreu há mais de setenta anos.

“Não existem roteiristas bons”, alguns falam. “Isso não vende”, outros dizem.

A parceria é delicada. Dois ou três sonhadores dividem os créditos num bocado de folhas. De vez em quando mais. A satisfação de ver seu material publicado é tão forte quanto os centavos pingados na conta. Quanto maior a colaboração, maior o rateio.

Ninguém está certo do caminho. Ou todos tem a sua certeza: O futuro é a internet! O futuro são as feiras! O futuro…

Sobre as editoras, é difícil ver um investimento, a não ser que haja chance do governo pagar.

Não seria justo ignorar iniciativas como as Graphics MSP, que dão ao quadrinhista esperança no ofício e da Abril Jovem em seu concurso de histórias em quadrinhos, que impulsionam os artistas para a glória.

Mas assim como os grandes times de futebol, seu elenco é limitado. Assim como temos em diversos times jogadores ganhando salário mínimo para jogar, os quadrinhistas são lembrados diariamente que o trabalho é difícil.

Que os jornais e editoras de quadrinhos não mexem em time que está ganhando. Para quê deixar de pagar aquela mixaria por um grupo de tiras estrangeiras para colocar uma nacional?

Para quê publicar material brasileiro se o filme do personagem americano logo entrará em cartaz? Por que investir em histórias brasileiras se lemos quadrinhos estrangeiros para nos inspirarmos? Por que não pegar logo o “original”?

Lembrem que a indústria de quadrinhos americana foi construída em cima de tentativa e erro. Ninguém sabia que estava no caminho certo até começar a ganhar dinheiro.

No campo da literatura, as editoras estão investindo em novos talentos, em títulos brasileiros voltados para o público jovem.

Editoras pequenas estão tentando fazer a sua parte, coletivos também.

A gigante Panini investiu no Valente, de Vitor Cafaggi, como aposta para as bancas.

Já é um começo, quadrinhistas nacionais. Já é um começo.

Hoje estarei “celebrando” o Dia do Quadrinho Nacional no Planetário da Gávea, no evento O QUADRINHO É NOSSO, numa programação extensa! Vejam!

9h às 12h – Os gêneros do quadrinho nacional
Carlos Patati
Heitor Pitombo
Luiz Felipe Vasques (mediador)

13h às 16h – Mangá brasileiro
Alexandre “Lancaster”
Labareda Design
Sami Souza
Gabriel Cruz (mediador)

16h30 às 19h30 – Quadrinho independente e quadrinho autoral
Andre Dahmher
Clara Gomes
Estevão Ribeiro
Bruno Cruz (mediador)

20h – Lançamento da revista Interstícios 2

O Planetário da Gávea fica na Rua Vice Governador Rubens Berardo, 100, Gávea. Mais informações pelo telefone 21 2274-0046.

Trabalho X Descanso…

Vocês, que amam o que fazem e o fazem em tempo integral sabem do que estou falando…

E já temos data do lançamento de Os Passarinhos apresentam: Vida de Escritor
no Rio de Janeiro: Dia 19 de fevereiro, na Livraria da Travessa, em Ipanema! Marque em sua agenda!

Ah, e não deixem de curtir a página dOs Passarinhos no Facebook! Assim você saberá todas as novidades dos filhotes no ano em que completam 5 anos!

E a primeira edição de Os Passarinhos faz 4 anos…

Natália Tudrey, eu (bem mais magro!), Guilherme Kroll e Flávia Yacubian.

 

Pois é, povo! Voou e a gente quase não viu!

Quatro anos nos separam do lançamento de Hector & Afonso – Os Passarinhos na livraria Blooks, no Rio de Janeiro. Lá também nasceu oficialmente a Balão Editorial.

Conheço o Guilherme Kroll muito antes dessa nossa parceria (que muitos pensavam que era uma sociedade). Kroll era leitor e grande incentivador dos quadrinhos nacionais e independentes, e acompanhava meus trabalhos à distância, quando eu ainda morava em Vitória, no Espírito Santo.

Eu pude acompanhar à distância sua colaboração para o site Universo HQ, sua despedida do blog Homem Nerd, que mantinha resenhas dos materiais que lia.

Quando comecei uma campanha para publicação da primeira coletânea de Os Passarinhos, no final de 2009. As pessoas que comprassem o livro na pré-venda teria seus nomes nos agradecimentos. Eu considero isso uma versão beta do financiamento coletivo, porque sem a ajuda das pessoas que consegui (72!), ficaria mais difícil publicar o livro. Um terço do orçamento do livro foi bancado pelos leitores. A gráfica, parceira de longa data, abateria outro terço.

Aí, Guilherme me revelou algo que melhoraria o cenário.

Ele estava montando uma editora com mais duas amigas, Natália Tudrey e Flávia Yacubian e queria saber se não podíamos fazer uma parceria para a publicação do meu livro.

Fechamos a parceria com a editora Balaio Editorial;

– Balaio? Perguntei no chat de conversa.

– Sim, o que acha? – Disse Kroll

– Pensei que havia lido Balão, rs.

– Balão… Soa melhor, vou falar com as garotas.

E assim nasceu o nome Balão Editorial!

Desde então tivemos ótimos resultados com Os Passarinhos. Somados aos exemplares vendidos para o MEC no Programa Nacional Biblioteca nas Escolas, as três edições de Os Passarinhos chegam a tiragem de 34.500 exemplares, em quatro anos de parceria.

Além disso a editora investiu grandes nomes do cenário independente nacional, como Magno Costa, Mário César, além do 2º lugar no “Prêmio Jabuti” Mário Cau e marcou 2013 com seu primeiro lançamento em quadrinhos estrangeiro, arrancando elogios da crítica com “Pobre Marinheiro” S. A. Harkham.

A Balão faz jus ao nome e tem usado as ideias e boas apostas como ar quente e tem subido. E muito.

Parabéns a todos.

Os Passarinhos! Tiras inéditas no site!

Pois é, piantes! Enquanto na comunidade dOs Passarinhos no Facebook está republicando diariamente a tira desde a número 1, aqui saem as tiras atuais, publicadas no jornal O DIA. Confira todas as terças, quintas e sábados (ou quase isso) com tiras inéditas!

E não deixe de comprar o livro novo dOs Passarinhos! Tem até propaganda, viu?